Sigamos o Caminho

12/26/2015

Venha, meu amigo,

comungar conosco este doce sentir.

Quão maravilhosa é a contemplação!

A mais pura e bela delicadeza,

que brilha na Natureza

e permeia a virtude dos homens santos.

Revelada nos gestos mais simples,

sincronicidade mística entre Deus, a Natureza e o Homem.

Enche-nos a vida de gratidão e apreço.

Venha, meu amigo,

servir junto a este mais sublime amor.

Quão maravilhosa é a prática!

Bondade Suprema inquebrantável

Fiel aos mandamentos e preceitos divinos

Na justa medida do respeito

e do senso de responsabilidade total.

Revela a prudência no pleno cuidado à vida.

Enche-nos o espírito de misericórdia e retidão.

Venha, meu amigo,

concretizar esta Grande Obra do Criador.

Quão maravilhoso é Fazer e Ser Um!

Passo a passo,

com os pés firmes na própria posição.

Sem se entregar ao cansaço ou se deixar iludir pelas emoções,

tão pouco apegar-se a razão ou depender da intuição.

Revelando o Caminho da Vontade de Deus – “o Agir sem agir” íntegro, espontâneo e incondicional.

Enche-nos a Humanidade da Verdade e da Presença de Deus.

Vamos…


Sistema Penitenciário Justo e Eficaz

04/04/2014

Nosso sistema penitenciário atual é muito falho, ao invés de recuperar a dignidade de nossos transgressores sociais, tira o pouco de dignidade que os resta. O índice de reincidência após o cumprimento de uma pena carcerária só tem aumentado, servindo nossas penitenciárias de verdadeiras escolas do crime.

É preciso reavaliar nosso sistema penitenciário, resgatar o propósito original de reabilitar o transgressor para o convívio pacífico na sociedade e aplicar meios justos e eficazes para o sucesso nos resultados.

O primeiro ponto é ter consciência de que o foco de nossa ação não é castigar o transgressor, mas transformar seu comportamento de transgressor para respeitador. O transgressor deve entrar numa penitenciária e sair melhor, jamais pior do que entrou. Para isso, deve não apenas passar por um processo educacional e de incorporação de hábitos bons e saudáveis, mas também por um processo terapêutico restaurativo que dê as condições necessárias fisiológicas e psicológicas para isso.

Geralmente, o comportamento de um criminoso é cheio de vícios ou maus hábitos, sendo muito difícil uma mudança sem a ajuda de alguém. Por isso é mais fácil um pastor de uma igreja evangélica resgatar um transgressor do que nossas penitenciárias reabilitarem os mesmos.

A questão é: como podemos gerar uma transformação no comportamento alheio? Não estamos falando de um mero adestramento, como em animais, onde o dono pode frequentemente dar estímulos positivos. O ser humano é muito mais complexo. E mesmo que os governantes do Estado queiram nos dominar, o Estado nunca deve chegar a ser considerado dono das pessoas, pois estaremos retornando à escravidão. Assim, são as pessoas que juntas formam um Estado e que devem ser fortalecidas.

Dizemos que o comportamento de uma criança é reflexo dos pais, não somente por questões genéticas, mas porque repete o que vê no exemplo dos pais. Hoje existe uma carência muito grande de bons exemplos de virtude e de respeito incondicional. A decadência moral está em todos os lugares, na família, na escola, no governo e até na religião. Na TV, nossas novelas e nossos noticiários são repletos de estímulos negativos. No rádio, nossas músicas também. Vivemos num sistema doentio, repleto de estímulos negativos.

Assim, quando falamos numa mudança no sistema penitenciário, a abordagem é muito mais ampla do que simplesmente em nossas “cadeias de criminosos”.

O significado original de penitência é arrepender-se, vem do latim paenitentia, formado pelo sufixo entia que significa “qualidade de um agente” e do radical paenitere “arrepender-se”, derivando do advérbio paene “perto de” e não de poena “pena”. Infelizmente com o passar dos tempos foi sendo atrelado ao vocábulo poena ou pena, levando ao significado falso de castigo.

Portanto, originalmente o propósito que buscamos é o arrependimento das pessoas. E sabemos que o arrependimento só é verdadeiro com a mudança de atitude do indivíduo.

Numa abordagem ampla, os princípios de um sistema penitenciário justo e eficaz devem ser aplicados tanto dentro da família, da escola, do trânsito… como também numa penitenciária propriamente dita.

Por exemplo, como fazer nosso filho se arrepender diante de um erro ou uma conduta transgressora? O castigo apenas gera medo e raiva, não arrependimento. Para haver arrependimento é preciso chegar “perto da” verdade, compreender os riscos e as consequências do ato e porque a conduta correta é mais respeitosa e harmoniosa. Nosso filho precisa nos ver fazendo o correto, caso contrário perde-se a credibilidade ou fé em nós e nossas palavras. Do mesmo modo, é com toda posição de autoridade: os pais na família, os professores na escola, os policiais rodoviários no trânsito, os governantes no Estado… os agentes penitenciários na penitenciária!

Falando em agentes penitenciários, qual é o treinamento que damos a essa nobre função? Nós a tratamos como segurança de cadeia. – Segure o problema aí e não o solte!

Em nossa vida, como agimos diante dos problemas? Nós nos separamos e nos afastamos deles, ignorando-os, escondendo-os e querendo esquecer deles ou assumimos nossa responsabilidade, dando atenção a eles e nos dedicando na mudança da causa?

Dentro de um sistema penitenciário justo e eficaz deve existir o que atualmente é chamado de justiça restaurativa, que busca restaurar os danos sofridos, não apenas materiais como também, e principalmente, entre as relações humanas. Assim sendo, o Estado passa a ser um mediador terapêutico dos envolvidos, transgressor, vítima, familiares… restaurando a dignidade e convívio destes.

Ao invés do castigo compulsório, oferecemos processos restaurativos, onde transformamos relações conflituosas em relações de respeito, chegando no ápice com o arrependimento e correção do transgressor e o perdão do agredido.

No sistema atual de justiça retributiva considera-se que o castigo cumprido retribui a agressão. Logo, paga-se com o cumprimento do castigo a agressão. Assim, um traficante após cumprida sua pena, mesmo não estando reabilitado comportamentalmente (até porque dentro da cadeia continua alimentando seus vícios), será solto para continuar traficando.

Aliás, temos que concordar que na situação deprimente atual de tratamento oferecido aos detentos, realmente seria um abuso continuar com este preso após o cumprimento de sua pena. Melhor torcer que a dor deste tenha sido tão grande que o medo de voltar pra cadeia o faça mudar, o que na prática é muito raro.

Vemos este mesmo modelo de justiça retributiva em nosso código de trânsito, onde a multa como castigo o deixa quite por sua infração. Existe uma maior preocupação repressora do que educadora e restaurativa. Se ao menos o valor desta multa fosse utilizada diretamente para a reeducação do comportamento deste infrator e para o pagamento de todas as despesas nesse processo, mas se perde dentro dos cofres públicos, dando a impressão que os governantes estão mais preocupados em arrecadar do que educar o povo.

Dentro de um sistema doentio, com as autoridades nas variadas instituições abusando de seu poder ou sendo omissas, cada vez mais as pessoas ficam revoltadas, perdendo o bom senso.

Por fim, enquanto esse sistema penitenciário justo e eficaz não é implantado em nossas instituições públicas, resta-nos aos mais despertos aplicá-lo em nós mesmos, arrependendo-nos e nos corrigindo sempre, principalmente dentro de nossa família. Pelo menos assim, com certeza não perdemos a fé e a esperança, nem nossos filhos para o crime!


Apenas faça o certo… mas faça agora!

09/12/2011

Parte do documentário Somos todos Um.

 


O significado do Tau oriental

08/08/2011

Este ideograma chinês acima se lê Tau ou Tao, embora na grafia  pinyin se escreva Dao (o som do “D” é igual ao “T”).

Por mais incrível que pareça seu significado é o mesmo do Tau franciscano. Com certeza a Fonte da Sabedoria Divina é uma só!

O Tao chinês é o símbolo do Caminho, da Verdade Suprema, do Absoluto, do próprio Criador (ou Mãe Divina) e/ou da nossa ligação com o Divino.

Fonte: http://www.nilton.psc.br/textos_tao.html

Despertar para o divino em si mesmo, em nossa própria essência, manifestando-o espontaneamente em cada gesto, palavra e pensamento, em equilíbrio e harmonia com as forças Yin (Terra) e Yang (Céu), este é o Caminho do Meio para a Unidade e a Eternidade.

Tudo isso mostra que todas as religiões e filosofias falam de uma única Verdade, todas são parte da mesma Fonte. Mas para compreender profundamente a Verdade é preciso sentir amor sincero, para em nossa visão o que está sendo observado não pareça como um objeto distinto e separado, pois se nosso coração estiver fechado, apegado a preconceitos, preso à discriminação, apenas conseguiremos enxergar aspectos superficiais e consequentemente nosso entendimento e visão da Verdade será bem limitado.


O significado do TAU franciscano

08/08/2011

O significado do TAU franciscano

Há certos sinais que revelam uma escolha de vida. O TAU, um dos mais famosos símbolos franciscanos, hoje está presente no peito das pessoas num cordão, num broche, enfeitando paredes numa escultura expressiva de madeira, num pôster ou pintura.

Tau – Símbolos e significados

Ele é um símbolo antigo, que recorda tempo e eternidade. A grande busca do humano querendo tocar sempre o divino e este vindo expressar-se na condição humana. Horizontalidade e verticalidade. As duas linhas: Céu e Terra! Temos o símbolo do TAU riscado nas cavernas do humano primitivo. Nos objetos do Faraó Achenaton no antigo Egito e na arte da civilização Maia. Francisco de Assis o atualizou e imortalizou. Não criou o TAU, mas o herdou como um símbolo seu de busca do Divino e Salvação Universal.

TAU, sinal bíblico

Existe somente um texto bíblico que menciona explicitamente o TAU, última letra do alfabeto hebraico, Ezequiel 9, 1-7: “Passa pela cidade, por Jerusalém, e marca com um TAU a fronte dos homens que gemem e choram por todas as práticas abomináveis que se cometem”. O TAU é a mais antiga grafia em forma de cruz. Na Bíblia é usado como ato de assinalar. Marcar com um sinal é muito familiar na Bíblia. Assinalar significa lacrar, fechar dentro de um segredo, uma ação. É confirmar um testemunho e comprometer aquele que possui o segredo. O TAU é selo de Deus; significa estar sob o domínio do Senhor, é a garantia de ser reconhecido por Ele e ter a sua proteção. É segurança e redenção, voltar-se para o Divino, sopro criador animando nossa vida como aspiração e inspiração.

O TAU do penitente

Francisco de Assis viveu em um ambiente no qual o TAU estava carregado de uma grande riqueza simbólica e tradicional. Assumiu para si a marca do TAU como sinal de sua conversão e da dura batalha que travou para vencer-se. Não era tão fácil para o jovem renunciar seus sonhos de cavalaria para chegar ao despojamento do Crucificado que o fascinou. Escolhe ser um cavaleiro penitente: eliminar os excessos, os vícios e viver a transparência simples das virtudes. Na sua luta interior chegou a uma vitória interior. Um homem que viveu a solidão e o desafio da comunhão fraterna; que viveu o silêncio e a canção universal das criaturas; que experimentou incompreensão e sucesso, que vestiu o hábito da penitência, que atraiu vidas, encontrou um modo de marcar as paredes de Santa Maria Madalena em Fontecolombo, de assinar cartas com este sinal. De lembrar a todos que o Senhor nos possui e nos salva sob o signo do TAU.

O TAU franciscano

O TAU franciscano atravessa oito séculos sendo usado e apreciado. É a materialização de uma intuição. Francisco de Assis é um humano que se move bem no universo dos símbolos. O que é o TAU franciscano? É Verdade, Palavra, Luz, Poder e Força da mente direcionada para um grande bem. Significa lutar e discernir o verdadeiro e o falso. É curar e vivificar. É eliminar o erro, a mentira e todo o elemento discordante que nega a paz. É unidade e reconciliação. Francisco de Assis está penetrado e iluminado, apaixonado e informado pela Palavra de Deus, a Palavra da Verdade. É um batalhador incansável da Paz, o Profeta da Harmonia e Simplicidade. É a encarnação do discernimento: pobre no material, vencedor no espiritual. Marcou-se com este sinal da luz, vida e sabedoria.

O TAU como ideal

No mês de novembro de 1215, o Papa Inocêncio III presidia um Concílio na Igreja Constantiniana de Roma. Lá estavam presentes 1.200 prelados, 412 bipos, 800 abades e priores. Entre os participantes estavam São Domingos e São Francisco. Na sessão inaugural do Concílio, no dia 11 de novembro, o Papa falou com energia, apresentou um projeto de reforma para uma Igreja ferida pela heresia, pelo clero imerso no luxo e no poder temporal. Então, o Papa Inocêncio III recordou e lançou novamente o símbolo do TAU de Ezequiel 9, 1-7. Queria honrar novamente a cristandade com um projeto eclesial de motivação e superação. Era preciso uma reforma de costumes. Uma vida vivida numa dimensão missionária mais vigorosa sob o dinamismo de uma contínua conversão pessoal. São Francisco saiu do Concílio disposto a aceitar a convocação papal e andou marcando os irmãos com o TAU, vibrante de cuidado, ternura e misericórdia aprendida de seu Senhor.

O TAU nas fontes franciscanas

Os biógrafos franciscanos nos dão testemunhos da importância que São Francisco dava ao TAU: “O Santo venerava com grande afeto este sinal”, “O sinal do TAU era preferido sobre qualquer outro sinal”, “O recomendava, freqüentemente, em suas palavras e o traçava com as próprias mãos no rodapé das breves cartas que escrevia, como se todo o seu cuidado fosse gravar o sinal do TAU, segundo o dito profético, sobre as fontes dos homens que gemem e lutam, convertidamente a Jesus”, “O traçava no início de todas as suas ações”, “Com ele selava as cartas e marcava as paredes das pequenas celas” (cf. LM 4,9; 2,9; 3Cel 3). Assim Francisco vestia-se da túnica e do TAU na total investidura de um ideal que abriu muitos caminhos.

TAU, sinal da Cruz vitoriosa

Cruz não é morte nem finitude, mas é força transformante; é radicalidade de um Amor capaz de tudo, até de morrer pelo que se ama. O TAU, conhecido como a Cruz Franciscana, lembra para nós esta deslumbrante plenitude da Beleza divina: amor e paz. O Deus da Cruz é um Deus vivo, que se entrega seguro e serenamente à mais bela oferenda de Amor. Para São Francisco, o TAU lembra a missão do Senhor: reconciliadora e configuradora, sinal de salvação e de imortalidade; o TAU é uma fonte da mística franciscana da cruz: quem mais ama, mais sofre, porque muito ama, mais salva. Um poeta dos primeiros tempos do franciscanismo conta no “Sacrum Comercium”, a entrega do sinal do TAU à Dama Pobreza pelo Senhor Ressuscitado, que o chama de “selo do reino dos céus”. À Dama Pobreza clamam os menores: “Eia, pois, Senhora, tem compaixão de nós e marca-nos com o sinal da tua graça!” (SC 21,22).

O TAU e a benção

Francisco se apropriou da bênção deuteronômica, transcreveu-a com o próprio punho e deu a Frei Leão: “Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor mostre a tua face e se compadeça de ti. Que o Senhor volva o teu rosto para ti e te dê a paz. Irmão Leão; o Senhor te abençoe!” Sob o texto da bênção, o próprio Frei Leão fez a seguinte anotação: “São Francisco escreveu esta bênção para mim, Irmão Leão, com seu próprio punho e letra, e do mesmo modo fez a letra TAU como base”. Assim, Francisco, num profundo momento de comunicação divina, com delicadeza paternal e maternal, abençoa seu filho, irmão, amigo e confidente. Abençoar é marcar com a presença, é transmitir energias que vêm da profundidade da vida. O Senhor te abençoe!

O TAU e a cura dos enfermos

No relato de alguns milagres, conta-se que Francisco fazia o sinal da cruz sobre a parte enferma dos doentes. Após ter recebido os estigmas no Monte Alverne, Francisco traz em seu corpo as marcas do Senhor Crucificado e Ressuscitado. Marcado pelo Senhor, imprime a marca do Senhor que salva em tudo o que faz. Conta-nos um trecho das Fontes Franciscanas que um enfermo padecia de fortes dores; invoca Francisco e o santo lhe aparece e diz que veio para responder ao seu chamado, que traz o remédio para curá-lo. Em seguida, toca-lhe no lugar da dor com um pequeno bastão arrematado com o sinal do TAU, que traz consigo. O enfermo ficou curado e permaneceu em sua pele, no lugar da dor, o sinal do TAU (cf. 3Cel159). O Senhor identifica-se com o sofrimento de seu povo. Toma a paixão do humano e do mundo sobre si. Afasta a dor e deixa o sinal de Amor.

O TAU na linguagem

O TAU é a última letra do alfabeto judaico e a décima nona letra do alfabeto grego. Não está aí por acaso; um código de linguagem reflete a vivência das palavras. O mundo judaico e, conseqüentemente, a linguagem bíblica mostram a busca do transcendente. É preciso colocar o Deus da Vida como centro da história. É a nossa verticalidade, isto é, o nosso voltar-se para o Alto. O mundo grego nos ensinou a pensar e perguntar pelo sentido da vida, do humano e das coisas. Descobrir o significado de tudo é pisar melhor o chão, saber enraizar-se. É a nossa horizontalidade. A Teologia e a Filosofia são servas da fé e do pensamento. Quem sabe onde está parte para vôos mais altos. É como o galho de pessegueiro, cortado em forma de tau é usado para buscar veios d’água. Ele vibra quando a fonte aparece cheia de energia. Coloquemos o tau na fonte de nossas palavras!

O TAU, o cordão e os três nós

Em geral, o Tau pendurado no pescoço por um cordão com três nós. Esse cordão significa o elo que une a forma de nossa vida. O fio condutor do Evangelho. A síntese da Boa Nova são os três conselhos evangélicos=obediência, pobreza, pureza de coração. Obediência significa acolhida para escutar o valor maior. Quem abre os sentidos para perceber o maior e o melhor não tem medo de obedecer e mostra lealdade a um grande projeto. Pobreza não é categoria econômica de quem não tem, mas é valor de quem sabe colocar tudo em comum. Ser pobre, no sentido bíblico-franciscano, é a coragem da partilha. Ser puro de coração é ser transparente, casto, verdadeiro. É revelar o melhor de si. Os três nós significam que o obediente é fiel a seus princípios; o pobre vive na gratuidade da convivência; o casto cuida da beleza do seu coração e de seus afetos. Tudo isto está no Tau da existência!

Usar o TAU é lembrar do Senhor

Muita gente usa o Tau. Não é um amuleto, mas um sacramental que nos recorda um caminho de salvação que vai sendo feito ao seguir, progressivamente, o Evangelho. Usar o TAU é colocar a vida no dinamismo da conversão: Cada dia devo me abandonar na Graça do Senhor, ser um reconciliado com toda a criatura, saudar a todos com a Paz e o Bem. Usar o TAU é configurar-se com aquele que um dia ilumina as trevas do nosso coração para levar-nos à caridade perfeita. Usar o TAU é transformar a vida pela Simplicidade, pela Luz e pelo Amor. É exigência de missão e serviço aos outros, porque o próprio Senhor se fez servo até a morte e morte de Cruz.

 

Por Frei Vitório Mazzuco, OFM

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/carisma/simbolos/tau.php


6 Pontos principais da acupuntura

07/25/2011

Segue orientações através da Medicina Tradicional Chinesa para dispersar qualquer tipo de dor. Vale lembrar que a dor é nosso corpo avisando que algo está errado (sintoma), por isso antes de tentar dispersar alguma dor, primeiro buscamos compreendê-la (a causa), para depois não voltarmos a causar a mesma dor.

No vídeo abaixo (em espanhol)  são apresentados os 6 pontos principais da acupuntura. Massageando com profundidade o ponto no sentido anti-horário nós dispersamos a dor (se for realizado antes do horário de predominância do meridiano energético específico, o resultado será mais eficiente). Obviamente que com a técnica de inserção de agulha o resultado é ainda mais eficiente, porém com a massagem já podemos ajudar muitas pessoas sem qualquer medo.


São Clemente de Alexandria (c. 150-220)

05/12/2011

Como vimos num artigo anterior, São Clemente de Alexandria, um dos primeiros sábios cristão, era vegetariano. Temos muito o que aprender com ele, então, estudaremos agora um pouco sobre ele.

Tito Flávio Clemente, de família gentia, nasceu em Atenas por volta do ano 150 da nossa era. Após a sua conversão ao cristianismo, viajou para muitos lugares da própria Grécia, Ásia Menor e Palestina. No entanto, foi em Alexandria que encontrou o seu verdadeiro paradeiro: primeiro como aluno de Panteno; depois, com a morte deste, como diretor da escola catequética. Com a perseguição de Septímio aos cristãos, fugiu do Egito em companhia de um “ex-discípulo” seu, Alexandre, Bispo de Cesareia, deixando o comando da escola com seu discípulo Orígenes. Parece ter falecido no interstício de 212 a 217.

Muito versado tanto na literatura cristã como na filosofia grega, Clemente merece ser tido como o primeiro dos sábios cristão. São Clemente, com um entusiasmo desmedido, mostra que a Revelação Cristã é o complemento necessário à filosofia grega, fazendo inclusive uma analogia gnóstica muito interessante, observando a filosofia como serva (mulher estranha) da Sabedoria (esposa legítima e fiel):

“Abraão é fiel a Sara – sua esposa legítima –, figura da Sabedoria; Agar, escrava de Sara, representa as ciências profanas (a filosofia). Abraão esteve com Agar, porque esta era jovem e ainda não havia chegado a hora de Sara dar-lhe o filho. Contudo, Abraão reconhece desde o princípio, que maior honra e respeito ele deve a Sara. Admite, ademais, que Agar é escrava de Sara, pelo que esta pode dispor daquela como quiser. Ora bem, esta imagem exemplifica, segundo Clemente, como o fiel deve proceder com as ciências profanas, isto é, deve usá-las naquilo que lhe forem úteis até que elas o levem ao limiar da verdadeira filosofia, que é a Sabedoria cristã, suprema verdade. Deve manter a filosofia sempre sob o jugo da teologia.” (http://www.filosofante.org/filosofante/not_arquivos/pdf/Verbo_Pedagogo.pdf)

Vale a pena ler todo trabalho disponível no link acima.

Podemos observar que enquanto nossa razão (que gera todas as ciências e filosofias) não estiver a serviço da Essência (Consciência e Sabedoria Divina), seus frutos (pensamentos e interpretações), por maiores que sejam, serão sempre limitados e, diante de sua natureza transitória-mundana, gerarão orgulho, vaidade e/ou avareza. Porém, quando a razão estiver verdadeiramente a serviço da Essência, seus frutos conjuntos serão humildes e alcançarão cada vez mais a perfeição.

São Clemente observa o Verbo como pedagogo supremo.  Mas o que o Verbo nos ensina? Em que consiste este ensinamento? Qual a sua finalidade na vida do homem? Ora, o verdadeiro conhecimento é o conhecer-se a si mesmo, visto que, conhecendo a si próprio, o homem amará a todos como a si mesmo, pois conhece a Deus, e então se conhece como imagem e semelhança de Deus.

Nas palavras do Papa Bento XVI:

Clemente retoma finalmente a doutrina [original] segundo a qual o fim último do homem é tornar-se semelhante a Deus. Somos criados à imagem e semelhança de Deus, mas isto ainda é um desafio, um caminho; de facto, a finalidade da vida, o destino último é verdadeiramente tornar-se semelhantes a Deus. Isto é possível graças à conaturalidade com Ele, que o homem recebeu no momento da criação, pelo que ele já em si a imagem de Deus. Esta conaturalidade permite conhecer as realidades divinas, às quais o homem adere antes de tudo pela fé e, através da fé vivida, da prática da virtude, pode crescer até à contemplação de Deus. Assim, no caminho da perfeição, Clemente atribui à exigência moral a mesma importância que atribui à intelectual. Os dois caminham juntos porque não se pode conhecer sem viver e não se pode viver sem conhecer. A assimilação a Deus e a contemplação d’Ele não podem ser alcançadas unicamente com o conhecimento racional: para esta finalidade é necessária uma vida segundo o Logos, uma vida segundo a verdade. E por conseguinte, as boas obras devem acompanhar o conhecimento intelectual como a sombra segue o corpo.

Principalmente duas virtudes ornamentam a alma do “verdadeiro gnóstico”. A primeira é a liberdade das paixões (apátheia); a outra é o amor, a verdadeira paixão, que garante a união íntima com Deus. O amor doa a paz perfeita, e coloca o “verdadeiro gnóstico” em condições de enfrentar os maiores sacrifícios, também o sacrifício supremo no seguimento de Cristo, e fá-lo subir de degrau em degrau até ao vértice das virtudes. Assim o ideal ético da filosofia antiga, isto é, a libertação das paixões, é definido e conjugado por Clemente com amor, no processo incessante de assimilação a Deus.

Deste modo o Alexandrino constrói a segunda grande ocasião de diálogo entre o anúncio cristão e a filosofia grega. Sabemos que São Paulo no Areópago em Atenas, onde Clemente nasceu, tinha feito a primeira tentativa de diálogo com a filosofia grega e em grande parte tinha falhado, mas tinham-lhe dito: “Ouvir-te-emos outra vez”. Agora Clemente, retoma este diálogo, e eleva-o ao mais alto nível na tradição filosófica grega. Como escreveu o meu venerado Predecessor João Paulo II na Encíclica Fides et ratio, o Alexandrino chega a interpretar a filosofia como “uma instrução propedêutica à fé cristã” (n. 38). E, de facto, Clemente chegou a ponto de afirmar que Deus dera a filosofia aos Gregos “como seu próprio Testamento” (Strom. 6, 8, 67, 1). Para ele a tradição filosófica grega, quase ao nível da Lei para os Judeus, é âmbito de “revelação”, são duas correntes que, em síntese, se dirigem para o próprio Logos. Assim Clemente continua a marcar com decisão o caminho de quem pretende “dizer a razão” da própria fé em Jesus Cristo. Ele pode servir de exemplo para os cristãos, catequistas e teólogos do nosso tempo, aos quais João Paulo II, na mesma Encíclica, recomendava que “recuperassem e evidenciassem do melhor modo a dimensão metafísica da verdade, para entrar num diálogo crítico e exigente com o pensamento filosófico contemporâneo”.

Concluímos fazendo nossas algumas expressões da célebre “oração a Cristo Logos”, com a qual Clemente encerra o seu [livro] Pedagogo. Ele suplica assim: “Sê propício aos teus filhos”; “Concede que vivamos na tua paz, que sejamos transferidos para a tua cidade, que atravessemos sem ser submergidos as ondas do pecado, que sejamos transportados em tranquilidade pelo Espírito Santo e pela Sabedoria inefável: nós, que de noite e de dia, até ao último dia cantamos um cântico de acção de graças ao único Pai,… ao Filho pedagogo e mestre, juntamente com o Espírito Santo. Amém!” (Ped. 3, 12, 101).”  (http://christianopereira.blogspot.com/2008/11/padres-da-igreja-clemente-de-alexandria.html)

Um fato interessante a considerar, relatado por Eusébio (Bispo de Cesareia) é que Panteno, professor de São Clemente de Alexandria, também teria viajado por muito lugares (inclusive a Índia), catequisando e levando consigo o Evangelho Original de São Mateus (primeiro evangelho). Este Evangelho, conforme a história nos mostra, depois teria sido modificado [ajustado aos interesses de pessoas com poder].