Cristalização dos hábitos

Quando determinadas móleculas se agrupam e seus elétrons, neutrons e prótons se habituam a girar sempre pelo mesmo caminho, a matéria sutil cristaliza-se a uma forma específica (matéria densa).

Fala-se que quanto mais tempo se tem o hábito (ou vício), mais difícil é para “largá-lo”, ou quanto mais cristalizada uma idéia (convicção), mais difícil é para dissolvê-la, pois com a cristalização do hábito passamos a nos identificar com a forma, vendo o mundo sempre do mesmo ponto de vista; e assim passamos a não aceitar outros pontos de vistas e muito menos a Essência por trás de todos.

Mas de onde vem esta dificuldade? Será ela verdadeira ou apenas mais um hábito/cristalização de nosso modo cartesiano de ver o mundo?

Quem aqui já ouviu a história sufi de Mushkil Gusha, que significa em árabe “O Dissipador de todas as dificuldades”?

A história conta que aquele, humilde de coração, que recorda Dele e estiver com verdadeira necessidade (“se necessitas muito e desejas o suficiente”) sempre encontrará o caminho.

A essência desta história encontra-se em todas as escrituras sagradas.

Nota-se a importância do coração humilde e sincero. O Caminho da Simplicidade, da conquista da Libertação pela “verdadeira necessidade”.

Quando vivenciamos uma “verdadeira necessidade” nada mais importa a não ser a própria necessidade; e se elevamos nosso coração, abrindo-nos ao novo, independente da forma, nossa súplica é satisfeita.

Um desejo egóico sempre está vinculado a uma forma específica; uma súplica da alma apenas com o suprir da necessidade verdadeira.

O que realmente é necessário (essencial) e o que é supérfulo? O que vem das profundezas de nosso mar (espírito) e o que vem de suas ondas superficiais (mente)? – Nosso coração sincero indica a resposta.

Deste modo, ao invés de buscarmos a liberdade/felicidade combatendo os hábitos e idéias cristalizadas (seja em nós ou nos outros), o que por si só alimenta ainda mais esta forma-pensamento, por quê não buscá-la pela purificação de nosso coração no aqui e agora? Que tal passar o foco do problema para a solução?

Assim, o foco nunca deve ser os defeitos dos outros. As pessoas só mudam quando reconhecem a mudança como uma necessidade verdadeira; se não querem mudar significa que ainda não estão realmente conscientes da Verdade em relação a si mesmas.

O orgulho nos cega para a Verdade, fazendo-nos combater a mudança necessária.

Não é fácil assumir nossa própria ignorância. Normalmente aquele que não suporta a ignorância alheia é aquele que não é capaz de perceber e aceitar a sua própria; não é capaz de humildemente reconhecer suas falhas, pois não se permite ser ignorante e falhar.

Todas as nossas falhas cometidas são em razão de nossa ignorância à Verdade do respectivo momento.

Lembremos que a Verdade não é fixa, é além da forma e se adapta a todo momento, assim é Absoluta.

Assumamos que somos imensamente pequenos diante de toda Criação. Como disse Shakespeare através do personagem Hamlet “existe mais coisa entre o Céu e a Terra do que pode supor nossa vã filosofia”. Aceitemos que a Verdade é muito maior do que possamos imaginar e que se não A vemos é pq A ignoramos.

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