Desenvolvendo uma nova base de ação

Vimos anteriormente a importância da necessidade verdadeira. Agora vamos falar de como fazer da necessidade verdadeira a base para nossas ações, aproveitando para abordar sobre personalidade, ego, essência e consciência.

No estado comum dos seres humanos (consciência inferior) a base para suas ações está no gosto e não gosto [dos sentidos], sua iniciativa está voltada para o que é agradável em contraposição ao que é desagradável. Assim, avançamos para aquilo que gostamos e nos retiramos para aquilo que não gostamos. Exemplos: “eu não gosto daquela pessoa, então já passo longe”, “eu gosto de pessoas inteligentes, então não tolero gente burra”, “eu não gosto de verdura, então como o boi que já é o mato processado”…

É nesta mesma base que inicialmente se forma nossa personalidade, que neste estágio pode ser vista como sendo o somátorio das experiências de nossos “eus-gosto” e/ou “eus-não-gosto” dentro dos vários papéis que atuamos em nossa vida. Funciona como se para cada gosto ou não-gosto tivessemos um pequeno “eu”, conforme o papel de atuação (persona). Assim, quando estou entre amigos e estou no papel do mulherengo, vou avançar para aquela menina linda. Já quando estou no papel de pai (ou irmão) e a menina linda é minha filha (ou minha irmã) vou ter aversão a esse gosto, incluindo aos homens/rapazes que tiverem esse gosto. E assim, atuamos nos vários papéis da vida (pai, mãe, filho, marido, estudante, professor, religioso, profissional…) e frequentemente entramos em conflito quando precisamos atuar em mais de um papel ao mesmo tempo, com seus gostos diferentes.

Personalidade vem de “persona” que era o nome da máscara que os atores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores. A palavra é derivada do verbo personare, cujo significado é “soar através de”. Por extensão, designa um papel social ou um papel de atuação. Assim, personalidade é a nossa forma de atuar no mundo.

No centro de nossa personalidade está nosso ego, que é formado pelos “eus-gosto”e papéis que mais nos identificamos e nos habituamos a utilizar em nossa atuação nesse mundo. E assim, dentro desta consciência inferior do gosto ou não-gosto, criamos uma auto-imagem baseada no ego, um falso-eu que orgulhosamente defendemos como sendo a nós mesmos. Esta identificação pode surgir tanto a nível físico, emocional ou intelectual.

Chegamos ao ponto de nos identificar tanto com esse falso-eu que quando alguém ataca sua forma, sentimos como se estivessem atacando nossa própria vida/existência. Exemplo, uma pessoa identificada com a idéia (convicção) de que só existe esta forma-pensamento correta, uma pessoa identificada com uma paixão, uma pessoa identificada com um corpo lindo, todos eles defenderão a forma que estão identificados como sendo eles mesmos, além de ter aversão pelo contrário.

Mas onde entra a Essência nesse palco da vida?

A Essência é o sopro que “soa através de”, é oculta, invisível, sua existência é num plano além de qualquer forma ou imagem. É o nosso Verdadeiro-Eu, que atua através de uma Consciência Superior.

A base de atuação da Essência é o Amor, a Consciência atenta a necessidade verdadeira, que independe do gosto ou não-gosto.

E como podemos desenvolver essa nova base de ação e chegar a esta consciência superior?

É preciso se autodespertar para a essência por trás da nossa atuação no dia-a-dia, auto-observando e refletindo sobre como nos relacionamos e se autoconscientizando do que é realmente verdadeiro e necessário, fortalecendo nossa vontade em seguir e realizar esta Verdade, lapidando assim naturalmente nossa personalidade.

Em breve, falaremos da alimentação nesse contexto, mas desde já nos questionemos:

Eu como o que vem pela frente para matar a fome? Alimento-me pelo que é bom, saciando meus sentidos? Ou me nutro conforme minhas necessidades verdadeiras, fortalecendo meu espírito?

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