O Verdadeiro Mestre Cuca

Quando temos uma receita, podemos sair correndo atrás de todos os ingredientes e instrumentos, seguindo as instruções ao pé da letra ou podemos, sem perder a essência da receita, fazê-la com os ingredientes e instrumentos que temos a mão, criando e improvisando sabiamente.

Claro que alguns ingredientes e instrumentos são imprescindíveis e se não o possuímos precisamos nos esforçar para consegui-los, caso contrário perderemos a essência da receita.

Não importa o nome da receita, se é brasileira, chinesa, alemã, italiana… o importante é que o prato final seja saboroso e saudável.

Estas duas qualidades, saboroso (agradável) e saudável (benéfico), nem sempre estão juntas. Às vezes nos viciamos (hábito forte) a determinados sabores prejudiciais, alimentando uma ilusão de que sem aquele sabor específico não conseguiremos saciar nosso paladar, nem a química nutricional de nosso organismo. O que é uma grande mentira!

O bem estar (qualidade de vida) é alcançado quando unimos o sabor agradável com o saudável.

Em termos de sabor benéfico, a visão das filosofias (medicinas) tradicionais é mais abrangente, sendo sabido que precisamos de todos os sabores (doce, salgado, ácido, picante, amargo e adstringente) para manter nosso organismo em equilíbrio. Dependendo do momento precisaremos um pouco mais de determinado sabor e menos de outro, por exemplo, se estamos resfriados precisamos mais de picante, salgado e ácido, pois são sabores quentes, e menos de doce, amargo e adstringente que são sabores frios que aumentarão ainda mais o resfriamento do organismo. Não esquecendo que a qualidade benéfica do sabor é imprescindível, pois senão haverão pessoas tomando ácido sulfúrico quando estiverem resfriadas.

Um mestre cozinheiro não é aquele que somente faz pratos deliciosos, seguindo as receitas de outros, e sim aquele que sempre faz pratos deliciosos e saudáveis, tendo o “feeling” (sensibilidade e criatividade) de suprir as necessidades das pessoas com o que tiver mais a mão, conforme a circunstância.

Dependendo da estação, da localidade e das pessoas, o mestre cozinheiro irá se adaptar.

Para ser um Mestre é preciso um alto nível de adaptação sem a perda da essência. A qualidade da água (ver “a Essência da Arte Marcial”).

Agora observemos tudo isto no campo espiritual.

Grandes Mestres Espirituais vieram ao mundo, em localidades diferentes, em épocas diferentes, para pessoas diferentes. Deus é Um só, mas para ensinar o Caminho de Vosso Reino, eles precisaram se adaptar às circunstâncias, sendo assim cada um utilizou os instrumentos e a melhor linguagem (receita) para o seu momento, local e pessoas.

Algumas receitas permaneceram intactas, outras foram sendo modificadas pelas pessoas que tentavam segui-las.

O que fica óbvio é que ninguém dos que discutem qual é a melhor receita chegaram a degustar do banquete divino absoluto. Lêem a receita, imaginam o prato e já se consideram doutores da receita, julgando/criticando a receita que não é igual a sua. Nem se quer se dão o trabalho de fazer realmente a sua receita como ela é, pois se ao menos a fizessem, experimentariam o prato e então poderiam dizer de sua real magnitude.

O sabor do banquete divino é benéfico por natureza e sempre degustado no aqui e agora; é absoluto contendo todos os gostos.

Quando uma pessoa discute ou julga a receita alheia, no aqui e agora está degustando um gosto amargo (se for frio) ou azedo (se for quente) prejudicial, repito, PREJUDICIAL. Isso por si só demonstra que a pessoa não está degustando o sabor divino benéfico e absoluto!

Enfim, diga-me você: como é o gosto de sua degustação do aqui e agora?

2 respostas para O Verdadeiro Mestre Cuca

  1. paulelena disse:

    um gosto saborosíssimo!! uma mistura de amor, amizade, carinho, realização da prática no dia a dia!!
    obrigada por me fazer parar pra degustar!!

  2. Fran disse:

    Muitas pessoas acham que degustam, mas apenas engolem. Muitas pessoas querem degustar o que outros degustam ou pensam degustar. Muitas pessoas querem degustar o que já se passou ou imaginam a degustação do que está por vir; esquecem-se do aqui e agora.
    Fato é que, para mim, a degustação é um eterno aprendizado e aperfeiçoamento.
    Ainda estou aprendendo a degustar o aqui e agora… :]

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