A doença como caminho de transformação – III

Em tudo na vida podemos complicar ou simplificar. Na medicina (cura) não é diferente.

Pela sabedoria oriental diz-se que a origem de todo mal está no coração inquieto ou nas impurezas do coração. Na medicina chinesa o coração é visto como o Imperador do organismo e sede da consciência superior.

Um coração instável reflete/resulta num reino instável. A instabilidade faz o exército do reino ficar em estado de defesa, combatendo tudo que esteja em desordem na tentativa de manter a ordem, causando assim mais revolta. O general e seus soldados desorientados não percebem a verdadeira causa da desordem e todos guerreiam perdidamente. Não percebem que a paz não pode ser conseguida com guerra, sendo a guerra exatamente contra a paz. A paz só é conseguida fazendo-se paz.

Assim como num jogo de xadrez, todas as peças de nosso organismo fazem de tudo para proteger o coração (Rei ou Imperador), pois quando o Rei (Imperador) morre, o jogo termina! O adversário/inimigo é o lado “negro”, sombrio, marginal… NOSSO lado obscuro e inconsciente refletido nos outros, ou seja, nós mesmos! Sim, nós mesmos! Quando atacamos ou nos defendemos de algo externo, dentro de nós também está ocorrendo uma guerra.

Mas será que esse lado “negro” que tanto atacamos e nos defendemos é realmente o causador da desordem? Para quem está no lado “negro”, será realmente o lado “branco” o causador?

Já passou pela cabeça de alguém que num jogo de xadrez não é preciso atacar e que a possibilidade de dois vencedores em paz é melhor do que um vencedor envaidecido e outro derrotado entristecido? Que depois poderá haver infinitas revanches (causas e efeitos)? De que  estas regras que todos seguem surgiram de maus costumes e podem ser mudadas?

Alguém pode falar: – Mas daí não é divertido!!!

Ou: – Mas daí o que será feito com todos os livros e professores de xadrez?

A desgraça do outro passou a ser divertida. E o apego à estrutura formada em torno dos maus costumes passou a ser motivo para não-mudança, não-melhora.

Não estou criticando o jogo de xadrez, mas o ideal por trás dele.

Não percebemos que fazemos parte de um todo comum em que a desgraça do outro reflete na nossa também. Que muitas vezes trabalhamos e reinvestimos em estruturas apenas por costume ou medo, que certas regras originadas desse costume ingessam e impossibilitam melhoras.

Será que é interesse dos grandes laborátorios e médicos que as pessoas realmente se curem? Será que não é melhor para eles que somente os sintomas sejam “curados”? Será que não é interesse deles que fiquemos dependentes dessa estrutura e assim cada vez damos mais renda a eles?

E nosso superficial sistema educacional? Será que ele realmente educa? Por que então tantos estudiosos, “mestres”, doutores e pós-doutores estão ainda insatisfeitos, infelizes e doentes? E por que seus alunos assim também estão?

Saliento que a maioria trabalha nessa estrutura e nem se dá conta de tudo isso. Alguns até percebem, mas não conseguem sair, por medo ou pela força do costume.

Ocorre que não conseguimos enganar nosso Imperador (Coração), que fica inquieto. Podemos até tomar remédios para entorpecer e forçar nosso coração a ficar quieto, mas com o Imperador entorpecido como fica o reino governado por ele? Quem será então que passa a governar nosso reino?

Só existe um caminho para nossa liberdade, para a cura verdadeira e real. Nota-se a ligação de real com rei, quem é mesmo nosso rei?

Sim, precisamos fortalecer e purificar nosso coração de seu entorpecimento. Qualquer semelhença com o conto da bela adormecida não é engano!

Meus queridos, a bela adormecida é a nossa consciência superior, cuja sede é nosso coração! O príncipe montado no cavalo branco representa o ser puro e virtuoso fortalecido pelos bons hábitos.

Jesus, o Grande Mestre do Coração, mostrou o Caminho de regresso ao estado puro original. Muitos Budas, Santos e Mestres também o fizeram. Com a institucionalização de seus ensinamentos, foram-se criando regras rígidas e toda uma estrutura ao redor, que ingessa e impossibilita a mudança e regresso ao estado puro original. Muitas pessoas se apegam a essas estruturas e regras,  esquecendo da essência dos ensinamentos. E sem perceber guerreiam pela paz e pelo amor!

Por favor, reflitamos, arrependamo-nos e corrijamo-nos! Se há algo a vencer são os nossos maus hábitos. Só assim o ser virtuoso aparecerá e despertará nossa Consciência Superior.

2 respostas para A doença como caminho de transformação – III

  1. […] Na Medicina Clássica Oriental (Ayurveda e Chinesa) isto era muito observado. Sempre era visto a relação da doença com o espírito. Nos livros clássicos de Ayurveda podemos ver como fator principal para os desequilíbrios/doenças a existência de algum conflito com a Consciência (Verdade). E na Medicina Clássica Chinesa, do mesmo modo, é visto que o Coração (Shen – Espírito) é a origem de todos os desequilíbrios e doenças. (ver postagem A doença como Caminho de Transformação – III) […]

  2. Chrystian disse:

    Excelente ensinamento! Muito sábio, com certeza, sob a iluminação e inspiração de muitos budas iluminados. Chrystian

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