Transcendendo o Karma e a Dualidade

Já foi falado sobre a Lei do Karma como lei de causa e efeito. Esta Lei Universal equilibra nossas ações no tempo dentro do nosso mundo de dualidade. Dualidade é a percepção do mundo divida em duas forças: masculina/positivo/yang e feminina/negativo/yin. Não há nada de errado com a dualidade a não ser se a julgamos como forças opostas e nos identificamos com somente uma delas.

Esse tipo de ação dual sempre está carregada de desejo/espectativa do ego (baseada no gosto e não-gosto). Por exemplo, se durante a ação ou planejamento (o próprio planejar já é uma ação) nossa espectativa só abrange os aspectos positivos, deixando-nos excessivamente alegres, logo após a realidade virá nos mostrando os aspectos negativos, deixando-nos excessiva e proporcionalmente tristes. Assim, equilibra-se o positivo e o negativo.

Em nosso mundo relativo, tudo possui seus aspectos negativo e positivo. Tanto externa como interiormente. Quando focamos na realidade o lado positivo, vai chegar um momento em que essa positividade não irá se sustentar e então virá a negatividade. Assim como depois de todo Dia vem sempre a Noite, e assim sucessivamente.

A proposta do Caminho do Meio, do Budismo, do Taoísmo e outros, é que nossas ações partam do meio, do centro, dessa consciência neutra, verdadeira e real.

E falando em meio ou centro, onde ele fica em nós?

Fica em nosso Coração, sede de nossa consciência superior que é sempre imparcial e justa. Assim, o Caminho do Meio é o Caminho do Coração! É também o Caminho que todas as religiões pregam.

No Taoísmo utiliza-se a expressão chinesa Wu Wei para significar esta ação partindo do Tao, de Deus, do Vazio Absoluto Onipotente.

hotu1

Hotu – representação da geração do Tai Chi (Yin-Yang) partindo do vazio

Pela tradução literal  significa “sem ação”, sendo “Wu” traduzido por “não ter”e “Wei” pode ser traduzido por “fazer, agir, governar”.

Infelizmente, assim como em outras práticas, foi-se dando muita importância à superficialidade dessa expressão e se esquecendo da essência. Passou-se a entender que o simples fato de nossa ação partir de um estado vazio da mente isso seria Wu Wei. Com isso foi-se dado muita ênfase à prática de meditação passiva em busca de um estado vazio.

Mas Lao Tse, santo e sábio chinês, quando utilizou pela primeira vez a expressão Wu Wei, estava se referindo ao Tao e a natureza divina (essência) dentro de nós, que apesar de sem forma (vazia), é repleta de Virtude, cheia de puro amor e bondade.

A prática de Wu Wei tem como objetivo atingir um «estado de graça» em harmonia com o Tao (o chamado «regresso original»).

Lao Tse disse:

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-ação.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Tao Te Ching (Cap.48)

A busca por conhecimento e a busca pela união com a Presença Divina seguem sentidos opostos. Enquanto na primeira cada vez adquirimos mais conceitos, na segunda cada vez  nos libertamos mais dos conceitos.

Cada vez menos é feito, pois o Divino age através de nós, passamos a ser instrumento Dele, sendo Ele que faz, todo o mérito é Dele, por isso tudo flui naturalmente sem esforço. Quando fluimos através de nossa Essência nada fica por fazer, fazemos naturalmente o que o momento e a realidade nos direciona, até que atingimos a perfeita “não-ação”.

Não interferimos mais com nosso ego que atribui tudo o que é feito a si mesmo e se vangloria orgulhoso do esforço e da dificuldade pela qual enfrentou e venceu. Tudo se torna fácil, natural, espontâneo!

Se entendermos bem a natureza essencial das coisas e conseguirmos esquecer tudo o que aprendemos que tenta ir contra ela, conseguimos fazer tudo o que é possível, com o mínimo esforço. Porque acabamos por deixar as coisas seguirem o seu curso natural. Não fazemos nada (claramente por nossa vontade própria) mas nada fica por fazer. Reconhecemos a Vontade Divina dentro de nós e a servimos, realizando-a. Em outras palavras, nossa consciência superior nos mostra a verdade e nós a seguimos, realizando-a.

Hoje, infelizmente, perdemos muito o contato natural com nossa essência, nossos vícios estão muito fortes e por isso precisamos inicialmente nos esforçar para reestabelecer essa conexão natural.

Precisamos nos esforçar para agir de acordo com a nossa verdade interior, dentro dos limites de nossa natureza original, sem tentar fazer o que vai para além dela. Fazer o que podemos fazer sem interferir em nossa natureza essencial, priorizando o necessário e útil, o virtuoso, em detrimento do gosto e não-gosto, do quero e não-quero, o egóico.

Isso é ser simples e humilde em espírito. É servir ao invés de ser servido. É ser útil ao invés de apenas usufrir. A felicidade permanente é essa “não-ação-egóica” perfeita.

Para conseguirmos compreender o curso natural das coisas e seguirmos o Caminho do Meio precisamos desaprender e nos desapegar de conceitos. Passamos a aprender por um processo natural, pela experienciação do real, pela observação da realidade imparcialmente, com a luz de nossa consciência superior, e então percebemos a essência semelhante das coisas e de seus fenômenos, percebemos a semelhança da natureza externa com a nossa interna, percebemos tudo sendo um só, partindo de um mesmo princípio. E assim, renunciamos a análise, sempre imperfeita, da realidade.

A coisa mais macia e flexível no universo
Consegue vencer a coisa mais dura.
E só o que não tem substância (e não existe)
pode entrar onde não há uma fenda por onde entrar.
É essa a vantagem da não-ação.

Mas poucos entendem o ensino sem palavras
E os benefícios da não-ação.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.43)

Quando a água que corre no leito de um rio encontra uma rocha no seu caminho, cede sem resistir e ajusta-se a ela de um modo tão perfeito que ultrapassa esse obstáculo e segue o seu caminho com a mesma facilidade que teria se ele não existisse. E, ainda assim, «água mole em pedra dura tanto dá até que fura».

Infelizmente, poucos entendem esse ensino sem palavras e seus benefícios, por isso muitos tentam explicar o inexplicável, mas só conseguimos assim passar informações e um entendimento superficial do que realmente é.

É fácil manter a estabilidade enquanto as coisas estão estáveis.
É fácil lidar com as coisas enquanto elas não mostram sinal de irem mudar.
O que é frágil é fácil de quebrar, o que é pequeno é fácil de dispersar.
Mas há que pôr as coisas em ordem antes de haver confusão.
Porque as coisas se podem transformar nos seus opostos.

Uma árvore do tamanho do abraço de um homem começa por ser pequena.
Uma torre de nove andares começa por ser um monte de terra.
Uma viagem de mil léguas começa num passo.

Encarrega-te dos problemas antes deles surgirem.
Assim, evitarás ter depois de agir.
As dificuldades são facilmente superadas antes de começarem.

Aquele que age pode complicar a obtenção do que pretende.
Aquele que agarra as coisas, perde-as.
Quem é sábio não faz nada de errado porque não age.
Não se prende a nada e, por isso, nunca perde nada.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.64)

O ego não gosta de mudanças, por isso ele cria e se apega a um falso ambiente de estabilidade. Aparentemente é fácil lidar com as coisas estáticas. Mas quando o ego se vê obrigado a mudar, ele se atribui um esforço enorme. O ego luta para que ele não precise mudar, somente os outros é que precisam mudar, é o mundo e as pessoas que precisam mudar e não ele. Gandhi certa vez disse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Se reconhecemos a fragilidade de nosso ego ele se quebra facilmente. Se percebemos a pequenez do ego, ele se dispersa. Mas se ao contrário, alimentamos a ilusão de que nosso ego é forte e grande, se o orgulho a auto-imagem do ego se evidencia, então tudo é mais difícil, rígido, estático.

Tudo, exceto nossa Essência, está o tempo todo mudando, nós percebendo ou não, e se não compreendemos a ordem que isso funciona, deixando de fazer o que nosso Coração indica no momento presente, logo tudo se torna confuso. E o que negamos virá a tona, o que está na sombra ficará visível. O positivo dará lugar ao negativo ou vive-verso.

Tudo que é grande inicia-se em algo pequeno. Tanto uma grande jornada como também a grandeza da auto-imagem do ego começam numa pequena ação/atitude/conduta. Uma semente de mostarda se regada se tornará uma grande árvore. E observando o pequeno compreendemos o grande.

Reconhecendo isto damos valor as pequenas coisas. Somos cautelosos e não regamos as sementes ruins, eliminando-as. Assim, encarregamos dos problemas antes deles surgirem. As dificuldades são facilmente resolvidas antes de começarem.

Não temos controle sobre as circunstâncias, nem compreendemos a totalidade delas. Se tentamos ajudar uma pessoa, essa ajuda pode estar prejudicando ainda mais. Se apenas seguimos nosso Coração consciente e sinceramente, não desejando nada, logo nada é feito de errado. O verdadeiro amor é sempre certo!

O ego não gosta de mudanças, por isso ele cria e se apega a um falso ambiente de estabilidade. Aparentemente é fácil lidar com as coisas estáticas. Mas quando o ego se vê obrigado a mudar, ele se atribui um esforço enorme. O ego luta para que ele não precise mudar, somente os outros é que precisam mudar, é o mundo e as pessoas que precisam mudar e não ele. Gandhi certa vez disse: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Se reconhecermos a fragilidade de nosso ego, ele se quebra facilmente. Se percebermos a pequenez do ego, ele se dispersa. Mas se ao contrário, alimentamos a ilusão de que nosso ego é forte e grande, se o orgulho a auto-imagem do ego se evidencia, então tudo é mais difícil, rígido, estático.

Tudo, exceto nossa Essência, está o tempo todo mudando, nós percebendo ou não, e se não compreendemos a ordem que isso funciona, deixando de fazer o que nosso Coração indica no momento presente, logo tudo se torna confuso. E o que negamos virá a tona, o que está na sombra ficará visível. O positivo dará lugar ao negativo ou vive-verso.

Tudo que é grande inicia-se em algo pequeno. Tanto uma grande jornada como também a grandeza da auto-imagem do ego começam numa pequena ação/atitude/conduta. Uma semente de mostarda se regada se tornará uma grande árvore. E observando o pequeno compreendemos o grande.

Reconhecendo isto damos valor as pequenas coisas. Somos cautelosos e não regamos as sementes ruins, eliminando-as. Assim, encarregamos dos problemas antes deles surgirem. As dificuldades são facilmente resolvidas antes de começarem.

Não temos controle sobre as circunstâncias, nem compreendemos a totalidade delas. Se tentamos ajudar uma pessoa, essa ajuda pode estar prejudicando ainda mais. Se apenas seguimos nosso Coração consciente e sinceramente, não desejando nada, logo nada é feito de errado. O verdadeiro amor é sempre certo!

Um estado deve ser governado com a justiça normal.

Uma guerra deve ser gerida com golpes de surpresa fora do normal.

Mas o mundo deve ser controlado sem forçar, pela não-acção.

Como sei eu que é assim?

Porque quanto mais decretos proibitivos existirem,

Maior será a pobreza do povo;

Quanto mais armas existirem, maior será a desordem;

Quanto mais engenho e técnica existirem,

mais estranhos produtos aparecerão;

Quanto mais regras e regulamentos,

mais ladrões e bandidos haverá.

Por isso o sábio diz:

Não farei nada e as pessoas transformar-se-ão por elas próprias;

Contentar-me-ei com ficar quieto e as pessoas ficarão honestas;

Sem me preocupar com isso, as pessoas enriquecerão;

E, sem que eu o deseje, terão uma vida boa,

Voltando à simplicidade primitiva.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.57)

Um governo sempre possui sua justiça normal repressiva, a qual serve como adubo a guerra, pois enquanto houver privação e repressão haverá guerra. A natureza do ser não se harmoniza a prisão! A “paz” de uma prisão é estática, mortificante, e dentro de si possui a semente da rebelião. O controle deve ser moldável pela não-ação, o governante chefe Coração sendo a manifestação pura e fluida do Ser!

Quanto mais ação, mais será a reação. Assim como dentro da noite existe a semente do dia e dentro do dia existe a semente da noite, quanto mais proibição existir, mais crimes serão cometidos. Devemos fluir no sentido oposto, em que cada vez seja menos necessário proibições e assim haverão menos crimes. Para isso é preciso uma “Educação Real” em trânsito.

Nosso ego é formado por muitos desejos e hábitos que nos impedem de sermos simples e espontâneos. Primeiro precisamos conquistar a simplicidade, desejando cada vez menos até o não-desejar, esvaziando-nos de conceitos e nos preenchendo de amor, e assim aos poucos vamos nos tornando espontâneos.

O Karma normalmente é visto como obstáculo, mas todo problema no outro lado é solução, assim todo obstáculo é também aprendizado, é conscientização!

Sejamos como a água quando encontra um obstáculo. Ela não o nega, aceita-o e flui conforme sua natureza! Será que para a água é difícil fluir? Será que a água se esforça para fluir? Ela apenas segue sua natureza e mesmo parada continua fluida.

Mesmo se a congelarem ela guarda dentro de si sua natureza e quando descongelar a água irá fluir! O que é que nos congela? Nossos hábitos e conceitos fechados!

Nossa razão hoje é formada em cima de conceitos falsos a que estamos habituados, que são anti-naturais. Somente passando a seguir nossa essência é que nossa razão passa a ter como base a Verdade!

Cristo disse: “Eu Sou a Verdade, o Caminho e a Vida”!

Transcender o Karma e a Dualidade não é eliminá-los e sim respeitá-los, compreendê-los e integrá-los harmoniosamente!

Os apóstulos de Jesus pergurtaram-lhe: – Mestre, sabemos que falas e ensinas retamente, e não te deixas levar de respeitos humanos, mas ensinas o caminho de Deus segundo a verdade; é-nos lícito ou não pagar tributo a César? Mas Jesus, percebendo a astúcia deles, disse-lhes: – Mostrai-me um denário. De quem é a efígie e a inscrição que ele tem? Responderam: De César. Disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e maravilhados da sua resposta, calaram-se”. (Lucas, xx, 17-26)

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