Desenvolvimento da Terra e do Ser Humano

Segue texto extraído do livro da Dr. Gudrun Burkhard, Volume 3 da Coletânea “Novos Caminhos de Alimentação”, Capítulo 1. Obra já sugerida anteriormente.

Segundo [observações de] Rudolf Steiner a Terra passou por várias estágios de evolução. De acordo com sua pesquisa [científica] espiritual, ele indica sete fases: três fases anteriores, a fase atual da Terra e três fases posteriores. O que podemos abranger com a nossa consciência em seu atual estado de evolução?

Nesse processo de evolução há uma constante metarmofose que passa por estados espirituais e estados materiais, onde a substancialidade gradativamete foi se densificando. Em cada período de evolução formou-se um dos corpos supra-sensíveis do ser humano, a tal ponto que hoje, na Terra, temos o ser humano com os seus “invólucros” constituído de um Eu, do corpo astral,do corpo etérico ou vital e do corpo físico. As próximas três fases da Terra irão novamente de encontro a uma espirtualização e resultarão no desenvolvimento e transformação (através do Eu) do seu corpo astral em “si mesmo espiritual” ou “manas”, do seu corpo físico em “homem espírito” ou “atma”. Na fase atual da Terra, esses três membros superiores já estão no início de sua transformação; mas só a terão completado no final do ciclo da evolução dos tempos.

Também a biografia humana, em síntese, passa por fases de desenvolvimento, onde podemos perceber elementos desse processo de evolução. Vide [o livro] “Tomar a vida em suas próprias mãos” da autora.

As fases de evolução anteriores da Terra são denominadas:

-Saturno, onde se desenvolveram os primórdios do nosso corpo físico e do mundo mineral, porém o estado mais material era apenas uma atmosfera de calor.

-Sol, onde se desenvolveram os primórdios do nosso corpo etérico e do mundo vegetal. Aí o estado mais denso corresponderia ao ar e, o mais sutil, ao estado etérico da luz.

-Lua, onde se desenvolveram os primórdios do nosso corpo astral e do mundo animal. O estado mais denso corresponderia à água, e o mais sutil Rudolf Steiner denominou de éter químico.

-Terra, onde se desenvolve o nosso Eu que se incorpora em seus invólucros. O estado mais denso é a terra, o solo mineral, e o mais sutil é o éter vital; só na Terra se dá a nítida separação entre o ser humano e os reinos animal, vegetal e mineral.

Em cada uma das fases de evolução da Terra, inicialmente, dá-se uma repetição das fases anteriores, para depois começar a volução propriamente dita. Entre cada fase há uma fase puramente espiritual, denominada “pralaia”.

No atual período terrestre, temos a repetição das fases anteriores da Terra denominadas: primeira época polar (repetição de Saturno), segunda época hipebórea (repetição do velho Sol, onde se deu a separação do Sol e da Terra), terceira fase lemúrica (repetição da Lua, onde se dá a separação da Lua e da Terra, quarta época da Atlântida, onde começa a evolução da Terra propriamente dita e, finalmente, a quinta época pós-atlântica, que é a nossa época atual e cujo início se localiza em torno de 8.000 a. C (a paleontologia, que denomina esta época de neolítica, a situa mais tarde, de 5.000, 6.000 a.C.).

No período das culturas pós-atlânticas dá-se novamente o aperfeiçoamento daquilo que fora desenvolvido na época correspondente. Temos então a primeira época, a cultura hindu antiga, a segunda época persa, a terceira egípcia, caldáica e babilônica, a quarta a greco-romana e a quinta época a cultura moderna ou atual, à qual seguirão mais duas. O eixo ou ponto central do desenvolvimento está sempre na quarta fase, onde se dá uma inversão total do processo de desenvolvimento, de tal maneira que a quinta fase espelha certos elementos da terceira, a sexta da segunda etc.

Na quarta época cultural pós-atlântica, a greco-romana, temos o acontecimento central de toda a evolução terrestre, o mistério do Gólgota. Cristo, após o batismo de Jesus no Jordão, torna visível a evolução do ser humano até o fim do ciclo evolutivo. Ele se une à Terra como força atuante no Universo e dentro de cada ser humano “até o fim dos tempos”, passando a ser a força propulsora do desenvolvimento.

Cada época cultural tem uma duração de cerca de 2.160 anos. É o tempo que o sol leva para passar de uma posição zodiacal para outra e atingir a posição vernal.

candelablo

épocas

Épocas culturais:

-Hindu (7.227 – 5.067 a.C.) – Era de Câncer

Aperfeiçoamento do corpo etérico. Os indivíduos já estão desligados do mundo fisicosensorial, os objetos são “maia”. Não sentem Deus nos objetos, por exemplo, na folha; têm de encontrar a divindade no próprio coração. O caminho de iniciação é o caminho budista dos oito passos. Afastam-se do exterior para encontrarem a vivência interior. A iniciação se dá debaixo da “árvore de Buddhi”, da figueira, símbolo do interior [observe como é o figo], isolado do mundo externo. Eram guiados por sete richis, que se incorporavam até ao nível etérico (os sete richis provinhamdos sete oráculos da Atlântida). A alimentação era constituída basicamente de leite animal e das dádivas da natureza que eram colhidas (coletores).

-Persa (5.067 – 2.907 a.C.) – Era de Gêmeos

Aperfeiçoamento do corpo astral. Reconhecem o físico como elemento de resistência, de oposição ao espiritual. Vivenciam as polaridades: céu/terra, luz/trevas, Ormuz/Arimã. Começam a arar a Terra, plantam cereais (trigo), e ávores frutíferas nas épocas certas. Têm a preocupação de levar o Sol (o espiritual) para dentro da Terra. O grande guia Zaratrusta era quem lhes ensinava tudo. O caminho de iniciação os levava a usarem as forças externas, dominando-as. Evitavam o caminho que levava às profundezas da alma (temiam encontrar as forças luciféricas). Alimentavam-se basicamente de vegetais, leite e mel.

-Egípcia-Caldáica / Babilônia-Assíria (2.907 – 747 a.C.) – Era de Touro

Primeira fase de desenvolvimento da alma da sensação. A meta era reconhecer a sabedoria através da natureza. Olhavam o Cosmos e observavam o movimento das estrelas. O Nilo transbordava em épocas determinadas, relacionadas às estrelas. Ele frutificava a terra para o cultivo; conheciam a geometria. Sabiam que as leis da natureza são regidas por entidades superiores. Espírito e natureza estavam interligados. O faraó era o intermediário entre as entidades espirituais e os homens. As leis sociais eram regidas pela sabedora do Cosmos. O caminho iniciático dirigia-se para o exterior, o Cosmos de um lado e de outro para o interior do corpo. Através do microcosmo procuravam [desvendar] o macrocosmos. A alimentação era constituída de leite, frutas, cereais e mel, porém já começa o uso da carne e do sal.

-Grego-Latina (747 a.C. – 1.413 d.C.) – Era de Carneiro

Primeira fase de desenvolvimento da alma racional e da índole. O impulso crístico atua inconscientemente através da história e das tradições. O Eu interioriza-se mais profundamente na alma e no corpo. Nos gregos, razão e índole ainda estão juntos. Na tragédia grega vemos o início de uma vida anímica pessoal, há interesse pela alma interiorizada. Nos romanos coração e razão começam a dissociar-se: de um lado temos as leis romanas e do outro o cristianismo nas catacumbas. Conquistam o espaço físico a partir de dentro. Os deuses são trazidos para dentro da matéria, por exemplo, as esculturas gregas, os templos. O próprio Eu assume seu desenvolvimento, surge a filosofia grega. A expressão do pensamento grego pode ser vista na lenda do minotauro, o labirinto que corresponde ao cérebro. Suge o perigo do indivíduo se perder na estrutura física. As leis sociais são assumidas pelo indivíduo. O caminho de iniciação vai para ambas as direções: dentro e fora, conforme o local dos mistérios. Começa a iniciação cristã. A alimentação inclui todos os elementos já usados anteriormente, acrescida de raízes e do vinho. Na época romana o consumo de carne e sal já é maior.

-Germano-anglo-saxônica (1.413 – 3.573) – Era de Peixes

Primeira fase de desenvolvimento da alma da consciência. Cristo torna-se uma realidade interior. No desenvolvimento esotérico moderno não há mais “guias”. O ser humano procura o desenvolvimento espiritual a partir de si mesmo. Em cada alma jaz o elemento propulsor do desenvolvimento. (O clarividente apenas vê; o iniciado distingue as entidades que se manifestam). Na época atual o homem tem em suas mãos a matéria e o domínio sobre os reinos da natureza; é dele que depende a atitude que toma perante eles. O homem é capaz de modificar o mundo exterior através da técnica cada vez mais desenvolvida. Cabe a ele decidir se vai destruí-lo ou se vai trabalhar conscientemente para a revivificação da Terra, dos reinos da natureza e dele mesmo. A alimentação resultante da industrialização perde cada vez mais a qualidade vital. Constata-se um aumento progressivo do consumo de carnes, álcool e açúcares. Os problemas sociais relativos à fome são cada vez maiores tanto no sentido qualitativo como quantitativo. A desnaturação e os tóxicos adicionados aos alimentos levam a doenças graves. A manipulação dos gens torna-se parte do cotidiano, assim como a comunicação virtual.

Segundo Rudolf Steiner, em seu livro “A direção espiritual do homem e da humanidade”, a época atual ou moderna, de certa forma, espelha muitos aspectos da cultura egípcia (de maneira metamorfoseada). O materialismo de hoje resulta da mumificação; do valor dado ao invólucro físico do homem naquela época. E este materialismo é um dos obstáculos que o ser humano tem de superar hoje em dia. Deve voltar-se para a espiritualização crescente de dentro, transformada, pois o ponto máximo de encarnação terrestre já foi ultrapassado. Em nossa época deve começar o paulatino desligamento do corpo físico. Temos a possibilidade de transcender os limites físicos para chegarmos ao espiritual. Porém, Rudolf Steiner alerta que esse caminho de retorno tem de ser feito com plena consciência […] A humanidade de hoje sente uma profunda saudade dessa parte espiritual, pois a dissociação da ciência, religião e arte leva às mais diversas aberrações em relação aos três elementos corespondentes que são a verdade, a bondade e a beleza. E quando o ser humano se confronta com a dissociação de sua alma, ele muitas vezes vislumbra facetas do lado espiritual sem estar devidamente preparado, fato que o leva a doenças físicas e psíquicas, que muitas vezes o fazem perder o contato com a realidade terrena. O nosso empenho como ser humano moderno, deverá ser o de chegar à integração desses três elementos em nós mesmos [os quais são manifestados no externo através de nossas ações] e de almejar uma espiritualização através da consciência, sem perder o contato com a realidade terrena, levando esta “cognição espiritual” até a realidade prática do dia-a-dia, como, por exemplo, no campo da nutrição, ao qual este livro se dedica.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: