A alimentação vegetariana e a alma

Uma menina ao ficar com dúvida sobre a origem do homem foi perguntar ao seu pai: “- Papai, de onde veio o homem?” Seu pai respondeu: “- O homem veio da evolução do macaco, minha filha.” A menina não ficou satisfeita com a resposta e foi perguntar a sua mãe: “- Mamãe, de onde veio o homem?” Sua mãe respondeu: “- O homem é filho de Deus, minha filha, foi criado por Deus a Sua imagem e semelhança.” E a menina logo retrucou: “- Mas o papai falou que o homem veio da evolução do macaco? Por que ele disse isso?” A mamãe coçou a cabeça e respondeu: “- Ah minha filha, deve ser porque seu pai estava falando da família dele.”

Isso pode parecer engraçado, mas na verdade é muito triste que o coração do homem tenha decaído tanto ao ponto de se identificar mais com macacos do que com Deus.

A característica mais evidente que diferencia o homem do animal é o livre arbítrio (advindo da consciência de si – “eu”), o ser humano tem a poder de escolher “seguir os princípios, virtudes e sentimentos superiores” ou “impulsos e instintos inferiores”, tem a capacidade de “ascender, cultivando e preservando a natureza divina dentro de si, priorizando o eterno (valores éticos-espirituais)” ou “afundar-se na escuridão, perder-se no ciclo de sofrimento, valorizando o efêmero e as falsas necessidades do ego”.

Deus deu à humanidade a capacidade de discernir e o livre arbítrio para obedecer nossa Consciência Divina (Verdadeiro Eu) ou ceder à tentação do materialismo e do prazer efêmero inconsequente do ego (falso-eu).

Conta-se que numa noite um velho índio Cherokee conversava com seu neto sobre a batalha que existe dentro das pessoas. O velho disse: “Existem dois lobos dentro de nós. Um é mau. É raiva, inveja, ciúme, ignorância, arrogância, ressentimento e mentira [falso-eu]. O outro é bom. É bem-aventurança, paz, amor, esperança, serenidade, humildade, generosidade, compaixão, fé e verdade [Verdadeiro-Eu].” O neto pensou um pouco e perguntou: “Qual deles ganha?” E o velho respondeu: “Aquele que eu alimentar dentro de mim”

Se alimentamos o falso passamos a acreditar convictamente na ilusão de que o falso é verdadeiro. Como ninguém pode escapar da Lei de Causa e Efeito, se alimentamos o ego e sua ilusória consciência inferior-sensorial-materialista, este se fortalecerá e dominará nosso coração e nossas ações. Conseqüentemente atrairemos e colheremos mais sofrimentos, conflitos e calamidades.

Certa vez eu estava assistindo na TV um documentário no canal AnimalPlanet. Estava deitado no sofá meio sonolento, observando o comportamento animal dos chimpanzés. Como o comentarista falava em inglês e eu estava meio dormindo nem prestava atenção para o áudio. Via só os chimpanzés se movimentando na floresta, seja por terra ou pelas árvores. Mas de repente levei um choque. Sentei, levando meu olhar para mais perto da cena. Não podia acreditar no que eu estava vendo. Refleti com minha consciência: “- Meus Deus, o chimpanzé está comendo outro macaco. Por que ele não come banana?” Não conseguia entender porque o chimpanzé estava matando outro macaco para comer, sendo que ele poderia comer banana e outras frutas (como eu imaginava que ele fazia). Foi então que tive um insight e despertei, logo me ajoelhei chorando arrependido e envergonhado: “- Pai Amado, perdoe-me por me comportar como um animal predador sem consciência e discernimento. Diferente do animal Tu me destes o livre-arbítrio e a capacidade para decidir minhas ações e meu destino. A partir de hoje jamais colocarei um pedaço de carne na boca.” E assim faço até hoje.

Segue um vídeo abaixo:

Vamos nos auto-observar e refletir: O que temos alimentado dentro de nós?

Os caprichos do ego e impulsos animais-bestiais ou o Cristo dentro de nós, nosso Coração de Misericórdia, Sabedoria e Consciência Divina?

Em que estamos baseando nossas escolhas?

No gosto/não-gosto advindo do ego/personalidade/costume/impulso animal-bestial ou no essencial, ético e misericordioso refletido pela Consciência Divina/Verdadeiro Eu?

Quantos milhares de vegetarianos saudáveis existem ou já viveram no mundo? Famílias há várias gerações vegetarianas, crianças que nunca comeram carne, santos, sábios, atletas medalhistas, praticantes de yoga e artes marciais, pessoas de todos os tipos… Existe melhor comprovação de que não é necessário comer carne para viver bem?

Por mais óbvio que hoje isso me pareça, antes daquele instante vendo o filme, eu ainda não havia despertado realmente meu Coração (Consciência). Já tinha estudado bastante e já havia entendido intelectualmente que a alimentação vegetariana era mais adequada, inclusive já tinha tentado me tornar vegetariano em vão. Somente depois daquela experiência despertei a alma de minha consciência para esta Verdade, através da compaixão, vergonha e arrependimento em meu coração. Depois dali foi tão fácil me tornar vegetariano, nenhuma dificuldade fez recuar minha Vontade Consciente.

Voltando ao tema alimentação, originalmente todos os seres humanos eram vegetarianos. Para sobreviver na Terra, num determinado momento de escassez, alguns povoados passaram a comer carne. Isso propiciou uma maior materialização e individualização da consciência humana com um maior desenvolvimento do ego. Inicialmente, para compensar o ato de matança e tentar purificar a consciência daquele karma eram realizadas orações e rituais pelo sacrifício. Ocorre que alimentando o instinto de matar esses povoados foram tornando sua natureza cada vez mais bárbara e por se sentirem mais fortes que os outros passaram a querer guerrear e dominar os demais, estuprando as mulheres conquistadas, impondo seus costumes, entre eles o de comer carne, bem como proibindo a cultura tradicional matriarcal. Alguns mantiveram a cerimônia, outros deixaram de fazê-la. Mas a verdade é  que com o tempo já não havia mais necessidade de comer carne e perdeu-se o sentido de fazer a cerimônia.

Esses povos bárbaros foram conquistando pela força todos os povos pacíficos. A consciência da humanidade foi se sentindo cada vez mais distante de Deus, perdendo-se a intuição até a formação plena do ego. O ego evoluiu tanto que se organizou, camuflou sua barbaridade elegantemente e criou vários métodos e tecnologias para sobreviver melhor e se satisfazer mais, sem precisar encarar a Verdade sobre si mesmo.

Entretanto, como um câncer, a humanidade chegou a um ponto limite de auto-destruição do Planeta. Como ela se vê separada da Natureza, não se senti mais dentro de “Um só corpo e Um só Espírito”, logo não supre mais suas necessidades essenciais, chegando a ir contra sua própria Natureza e proporcionando muito sofrimento.

Existe um princípio bem simples na Natureza de que quanto mais acrescentamos uma determinada qualidade ou substância num todo, mais o todo terá esta qualidade (se esse todo for vivo, chegará um momento limite que surgirá uma energia oposta-complementar: Yin-Yang). Assim, quanto mais alimentos de qualidade fria comemos, mais nosso corpo ficará com esta qualidade fria (aparecendo um resfriado, por exemplo, que será o ponto limite onde o corpo colocará o muco para fora para se aquecer e se equilibrar). Isto ocorre tanto num nível grosseiro material como num nível mais sutil energético-espiritual. Quanto mais comermos um alimento com uma energia negativa, com mais energia negativa ficaremos, chegando a um ponto de tanto sofrimento que choraremos humildemente (a humildade é uma energia positiva), então sentiremos um alívio, receberemos ajuda de alguém (o amor caridoso/solidariedade é uma energia positiva) ou ainda pediremos perdão sincero a Deus, realmente arrependidos e admitindo nossa ignorância, pois nem sabemos no que erramos, então, a energia positiva da sinceridade e do arrependimento será tanta que logo nos será revelada a Verdade que estávamos ignorando para que possamos nos corrigir.

Assim, quanto mais ingerimos alimentos com energia de sofrimento, maior será o sofrimento refletido em nosso corpo e alma. Isto é a Lei de Causa e Efeito agindo. É um fenômeno natural que ao comermos alimentos energeticamente mais densos e pesados (“tamásicos”), nossa consciência também ficará mais densa e pesada (“tamásica”). Com nossa consciência ficando mais tamásica teremos muita dificuldade em observar e compreender a verdade sutil. Logo, se queremos compreender mais a Verdade de Deus, se queremos como nosso destino um mundo de grande harmonia, sem sofrimento, precisamos nos arrepender com sinceridade de nossos erros, sendo o primeiro passo o de eliminar a carne de nossa alimentação, cultivando assim em nosso coração a misericórdia [pelos animais].

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia” Mt 5:7

Muitas pessoas tornam-se vegetarianas e depois voltam a comer carne, isto porque na verdade não era um ato de misericórdia consciente. Algumas tentam discutir e convencer os outros que o vegetarianismo é melhor e que salvará o mundo. Nossa salvação e do mundo dependerá sim do que manifestamos em nosso coração, pois podemos alimentar negativamente nossa alma tanto através do físico como do emocional e intelectual. Por isso Jesus disse que podemos  pecar até por pensamentos.

Existe uma história de um discípulo que foi conversar com seu Mestre: “Mestre, olhe para mim, agora estou vivendo em meio a Natureza, minha alimentação é vegetariana e só me visto de branco”. O Mestre, observando o coração do discípulo, apenas deu um sorriso singelo. Então o discípulo esperando que o Mestre fosse elogiá-lo, questionou: “O Mestre não esta vendo como estou melhor?”. O Mestre então falou: “Querido ‘discípulo’, você está vendo aquele cavalo branco? Ele vive em meio a Natureza, sua alimentação é vegetariana e só se veste de branco. O que faz a pessoa ser melhor não é a cerimônia, mas o Coração com que a pratica.”

Se o deixar de comer carne for apenas em razão de um conhecimento intelectual, de uma intenção de ter mais saúde ou ficar mais bonita e cheirosa, a força de vontade não será duradoura, quem dirá eterna. Para alcançar a eternidade precisamos despertar nosso espírito eterno amoroso. Precisamos despertar em nosso coração a alma da consciência, o que significa com sinceridade incondicional manifestar nossa Consciência Amorosa. Assim, nossos pensamentos, emoções e ações estarão sintonizados e unidos, alcançando a paz e a harmonia.

A Lei de Causa e Efeito não é um castigo, ela é a própria Justiça Divina. Nosso Verdadeiro Eu é Consciência Pura Amorosa. Se um ser possuidor de auto-consciência e livre arbítrio, com um corpo mais evoluído, utiliza mal seu corpo, densificando e obscurecendo cada vez mais sua consciência, comportando-se como um ser de consciência inferior, ao morrer e perder seu corpo físico, se sua consciência continuar presa a estes instintos/impulsos inferiores e sua alma não se arrepender, logo, pela lei de causa e efeito e pela lei da sintonia, na próxima encarnação virá em um corpo inferior de acordo com a consciência que teima em manifestar.

Sim, não apenas o animal tem alma como nós mesmos poderemos ter que retornar num corpo físico animal. Pense nisso! Você é capaz de aceitar esta Verdade?

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