Usando a escala e a relatividade

Como ainda temos muita dificuldade em acessar e manter o Coração Divino (nossa Essência), que nos faz compreender naturalmente o nosso coração e os dos outros, e conseqüentemente as atitudes e os pensamentos nossos e dos outros, podemos pelo menos usar como ferramentas de reflexão dois princípios: a escala e a relatividade.

A escala é como diminuir o zoom de uma imagem, distanciando-se e vendo a situação mais de longe, dentro de um contexto maior. Isto nos ajuda a nos desapegar da situação, do nível de ponto de vista que sempre usamos, bem como das emoções negativas desencadeadas por tal.

Usar a escala é observar a situação imparcialmente de um nível maior, mais abrangente, observando o contexto. É como subir em cima de um prédio ou usar a visão de uma águia para observar a situação mais de cima. É como nós vendo formigas, através de uma dimensão maior.

De certa forma, um policial ou um bombeiro precisam fazer isso ao chegar num acidente, mesmo havendo alguém preso nas ferragens, antes de socorre-lo é preciso observar toda a situação e gerenciar os riscos, para que não aconteça outro acidente ainda maior e envolvendo a si mesmo, e todo o esforço seja em vão.

Usar a escala nos deixa mais eficientes. Podemos também nos questionar: como Deus, Cristo ou outro Ser Iluminado, faria na mesma situação? Assim, agimos de acordo com uma Consciência Superior, que reconhecemos dentro da gente.

Quanto mais absorvidos/identificados com o ego e pela situação, mais difícil é nos mantermos consciensiosamente despertos e conseguirmos usar a escala. Isso porque quanto mais perto e identificados estamos, mais fortes são as sensações e emoções reativas do ego.

Estar identificado com o ego e pela situação significa também observar a vida como um objeto, reagindo sempre da mesma maneira. Quando observamos tudo como se fosse apenas objetos, o nosso Ser permanece estático. Sendo que a Vida é dinâmica e flui eternamente por várias formas. Precisamos reconhecer o Ser como um processo evolutivo e não com um objeto.

Ser é tudo que o homem é, independentemente do seu conhecimento, o que inclui suas experiências. Se estamos identificados com o ego, com um único e mesmo ponto de vista, nossas experiências não nos acrescentam nada no Ser, apenas no conhecimento ou nem nisso.

Exemplo uma pessoa que serviu ao Exército e se identificou com o ponto de vista de um militar, mesmo depois dela ir trabalhar em outras áreas, ela ainda verá tudo através desse ponto de vista militar.

Assim funciona o ego, que é a parte central de nossa personalidade. Através de um conjunto de pequenos “eus”, centralizados e liderados por outro pequeno “eu”, mas que se acha superior aos demais e por isso sempre impõe seu mesmo ponto de vista (um cego liderando outros cegos).

Para cada papel temos um pequeno “eu”, assim para o papel de pai temos um “eu-pai”, para o papel de marido temos um “eu-marido”, para o papel de religioso temos um “eu-religioso”, e assim por diante… todavia, como nos identificamos mais com um desses “eus”, passamos a alimentar mais esse “eu”, que por isso se sente mais forte e domina os outros. Um homem identificado com o “eu-futebol” ou com o “eu-profissional”, vai priorizar o futebol ou a profissão ao invés da família, e assim por diante. Outro identificado com o “eu-militar”, vai tratar os filhos e a esposa como soldados rasos, os quais sempre são obrigados a cumprir suas ordens. Estamos vestindo máscaras o tempo todo para nos relacionar, com os amigos usamos uma máscara, com a esposa outra, com a amante outra…literalmente tendo vários corações.

Quando não estamos conscientes desses vários “eus” dentro da gente é como se eles não existissem, pois criamos uma auto-imagem de um “falso-eu”, nossa personalidade, a qual passamos a defender como se fosse nosso próprio Ser, o que não é.

Usar a relatividade nada mais é que ser capaz de observar a realidade através de vários ângulos de visão, ou seja, através de vários “eus” diferentes, sendo capaz de se colocar no ângulo de visão do outro, bem como escolher um ângulo mais adequado, relativo a situação particular. Para se fazer isso é preciso entender que ângulos são somente maneiras diferentes de se olhar algo. Ângulos são linhas que levam ao mesmo ponto. Essas linhas podem ser mais longas ou mais curta, mais grossas ou mais finas, em planos e dimensões diferentes, de cores ou materiais diferentes; as características de determinada linha não são necessariamente explicadas pelos termos das outras. O que faz as linhas sempre se relacionarem é que apontam para a mesma coisa.

Assim, podemos nos colocar num “eu-católico” e observar o mundo; podemos depois nos colocar num “em-mulçumano” e ver o mundo, num “eu-budista”… (isso significa se observar como se tivesse nascido naquele povo, com a aquela religião, em que seus pais e avós também já estamos e você aprendeu com eles). Herdamos muito mais de nossos antepassados do que imaginamos. Se nesse exercício mantermos alguma resistência/rejeição contra algum desses “eus” de outra religião, por exemplo, se tenho rejeição ao “eu-budista”, então não conseguirei observar o mundo com um “eu-budista”, pois meu apego com o “eu-católico” não me permite observar através de outro ângulo.

Com isso podemos compreender que enquanto houver sujeira/veneno em nosso coração (“uma trave em nosso olho”), observaremos um mundo turvo, sempre presos a um ponto de vista. Pois a origem de toda linha, ângulo, “eu”, surge sempre através do coração. E com o coração desapegado e a inspiração divina (propósito divino) é possível ascender a dimensão do coração. Isso é o que faz toda a diferença para o Ser. Assim, por mais que possamos observar a realidade através de outros ângulos e de uma visão mais ampla, sem um coração grandioso, não conseguiremos harmonizar e pacificar as relações entre todos os”eus” (internamente) ou entre todas as pessoas (externamente).

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